sociedadesal.org

  • Aumentar tamanho da fonte
  • Tamanho da fonte padrão
  • Diminuir tamanho da fonte

Contas abertas

E-mail Imprimir PDF

O Ministério da Cultura (MinC) terá pouco mais de R$ 2,2 bilhões para

utilizar em 2010. É o maior orçamento da história do ministério. O

montante consta na peça orçamentária aprovada pelo Congresso Nacional e

representa mais que o dobro do que foi aplicado efetivamente pelo órgão

no ano passado. Em relação ao montante previsto no projeto também

aprovado pelo Congresso para 2009, o valor é 64% maior (veja a tabela).

Os dados não incluem as aplicações da Lei Rouanet.

De acordo com assessores do ministro da Cultura, Juca Ferreira (foto), o

aumento da verba da pasta é resultado da necessidade de atingir

recomendação da Organização das Nações Unidas (ONU) de destinar, no

mínimo, 1% do orçamento do país à cultura. “Este orçamento

corresponderá, estimativamente, a cerca de 0,7% das receitas totais de

impostos da União neste ano. Em 2003, quando o governo Lula assumiu, a

Cultura recebia exíguo 0,2% dessa receita. Constitui-se, assim, em um

ensaio que se aproxima do patamar mínimo para a cultura”, diz a assessoria.

Além disso, informa o ministério, o salto orçamentário decorre da

efetivação, em 2010, do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), criado

em 2009, e que implanta a gestão em rede dos museus sob responsabilidade

federal. Outro ponto que, segundo a assessoria, justifica o aumento dos

recursos é o reforço de orçamento em unidades e programas cujos recursos

têm sido “flagrantemente desproporcionais” à sua importância para a

cultura e as artes brasileiras.


Sistema Integrado de Administração Financeira (Siafi), apresentadas pela

O principal programa tocado pelo MinC é o “Engenho das Artes”. Em 2010,

cerca de R$ 612,2 milhões serão destinados ao programa, cuja finalidade

é implantar e modernizar espaços culturais em todo o país, capacitar

artistas, técnicos e produtores de arte, fomentar projetos, estudos e

pesquisas em cultura, etc. No ano passado, dos R$ 273,8 milhões

previstos para o programa, metade foi efetivamente desembolsada,

incluindo os “restos a pagar”: empenhos não pagos até o fim do exercício

e rolados para o ano seguinte. Se considerados os empenhos (reservas em

orçamento), 73% da dotação autorizada foi comprometida.

A assessoria do MinC destaca dados do IBGE, que apontam falta de cinema,

teatro ou qualquer tipo de espaço multicultural em 90% dos municípios

brasileiros. Sobre a execução do programa “Engenho das Artes”, a

assessoria afirma que, em 2009, do orçamento autorizado – R$ 273,8

milhões – foram liberados efetivamente R$ 210,6 milhões. “O ‘orçado’,

obviamente, representa uma figura financeira idealizada, enquanto o

‘liberado’ retrata o efetivamente disponibilizado para gastos. Destes,

R$ 208,8 milhões foram empenhados, o que corresponde a 99%”, assegura a

assessoria, em contestação às informações oficiais registradas no

reportagem (veja a tabela).

Outro programa que deve ter grande parte dos recursos do ministério é o

“Brasil, Som e Imagem”. O programa deverá receber R$ 204,3 milhões para

aplicar em ações de modernização de centros técnicos, instalação de

escritórios regionais da Agência Nacional do Cinema (Ancine),

capacitação de artistas, técnicos e produtores na área de audiovisual,

fomento à distribuição e comercialização de obras cinematográficas no

país e no exterior, entre outras. No ano passado, o programa aplicou 94%

dos R$ 218,9 milhões autorizados no orçamento.

**

*Nos últimos anos*

Em média, a verba desembolsada pelo MinC nos últimos sete anos

representou 68% do orçamento autorizado para a pasta nos exercícios. Em

2003, por exemplo, dos R$ 634,6 milhões autorizados para o órgão (em

valores atualizados), 58% foram aplicados, incluindo restos a pagar. No

ano passado, do R$ 1,4 bilhão previsto, 76% foi efetivamente gasto –

melhor desempenho desde 2001 (veja a tabela

<http://contasabertas.uol.com.br/website/noticias/arquivos/8_Minist%C3%A9rio%20

da%20Cultura%20-%202001%20a%202010.pdf>).

Nos últimos nove anos, a Cultura já desembolsou R$ 5,8 bilhões.

As despesas globais do ministério com pagamento de pessoal, despesas

correntes (água, luz, telefone, etc.), investimentos (execução de obras

e compra de equipamentos), entre outros, cresceram 191% desde 2003,

primeiro ano de governo Lula. A pasta viu suas aplicações saltarem de R$

366,2 milhões, há sete anos, para R$ 1 bilhão em 2009.

Não foram considerados os valores investidos pelas empresas estatais

(Petrobras, Correios, Banco do Brasil, etc.), que não informam, no

Siafi, suas aplicações. Também não estão incluídos os gastos efetuados

por estados e municípios e os decorrentes da Lei Rouanet, que canaliza

recursos para o desenvolvimento do setor cultural por meio de incentivos

fiscais a pessoas físicas e empresas interessadas.

Acompanhe o Contas Abertas <http://twitter.com/contas_abertas> no Twitter

Milton Júnior

Do Contas Abertas

Última atualização em Ter, 08 de Junho de 2010 18:33